terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Etc. e Tal!

Todos os caminhos se perdem...quando enveredam por "maus caminhos".

Todos os muros têm o tamanho dos nossos medos!

Todas as portas se abrem...perante o meneio das ancas de uma mulher.

Todos os oceanos ...são do tamanho de nossas lágrimas.

Se cair uma nódoa na tua camisa branca...desenha uma rosa vermelha em seu lugar.


Raul Leite, 30 de Novembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

Prelúdio

No íntimo das noites que dormem,
Palpitam almas inflamadas de poetas tardios.
Que a lua convoca para festim ao luar.

Figuras surreais
que respiram madrugadas de desejos
e de virgens desposadas por devassos
e pálidos vampiros.

Terna é a noite...
Voraz é o dia em que a tua sombra se liquefaz.

Raul Leite, 29/10/2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

No jardim à beira mar

Há uma estátua apaixonada
pela figura alada
da águia de bronze fundida.
E, na quieta madrugada,
no silêncio dos mortais,
espreita o mar
de ondas despenteadas
e murmúrios musicais.

(e nos braços de clara lua,
adormece em sono de espanto)

Raul Leite, Out. 2015

O mar é o destino

Tal qual um rio fiel à força do mar,
A ti me dou sem juras nem tratados.
Bonomia de sonhos defraudados.

Soberbo é o rio de nossas lembranças:
Espraiou-se em lago de águas mansas
Costas voltadas à tirania do mar.

Espelho d´água, refrigério no inferno,
Lago mágico onde Narciso de olhou
E apaixonado por sua imagem ficou.


(na aridez do deserto da vida...
há sempre um lago real ou inventado)

Raul Leite, 25/10/2015



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

De passagem

Todos somos de passagem.
Peregrinos em viagem sem retorno,
Sopro de vento, rasgo de sol,
Fortuna, beijo, figos e mel,
Música e dor...

Eternidade?!...
Suplício de Tântalo
à beira tédio plantado!

Raul Leite, Dezembro de 2014

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Máquina do tempo

Se me fosse dado domar o tempo,
Ousaria criar mais um "dia de semana"
Talvez aquele que deveria existir
entre o sonso Domingo e a cruel Segunda-F.

Chamar-lhe-ia "dia de coisa nenhuma"...
Acção de bloqueio total do cérebro,
Livre do exercício penoso de pensar.

Rigor de meditação num deserto...de nada!
Em terras de coisíssima nenhuma,
Mas bem perto da miragem a que chamam
FELICIDADE.

(sono profundo no farto colo da inércia)

Raul Leite, Março de 2015


Anda comigo

A minha janela...
Fica na rota dos aviões, dos pássaros
e do mar bravo de teu sorriso.
Daí resulta...
Um ruído agradável, quase música.

A minha janela...
Ora é moldura de pintura figurativa,
Ora é quadro de variegadas cores.
Efeito...
Doce voz que embala a minha existência.

A minha janela...
Fica na rota dos vagabundos, dos loucos
e dos poetas ensimesmados.
Consequência...
Casamento perfeito entre a utopia e a razão.

Raul Leite, Abril de 2014

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Luar do Norte

Mal o luar fecha a cortina da noite,
Logo a manhã em requebros sensuais,
Seduz estrelas que, submissas, se apagam
em desatinos voluptuosos se afagam.

Enquanto o mar, em meneios de galã,
Na descorada melancolia da manhã,
Faz as delícias de corpos sãos e febris
Jogo erótico de refinados ardis...

Ao som dolente de ilustre melodia,
Adormeço nos braços do desconforto.
Logo as gaivotas, em perfeita disfonia,
Chamam à vida o cidadão absorto.

(mar de Setembro, soturno...
celebrando o fim do Verão)

Raul Leite, Setembro de 2015

Sorriso "Silly season"

Fácil...
É sabermos quando estamos apaixonados:

O trânsito na cidade flui suavemente,
O custo de vida, adormece nos braços da inércia,
A Primavera renasce dos escombros da memória,
Há passarinhos em recitais de música celestial,
Romarias em "Verão de nosso descontentamento",
Jornada gloriosa pelos caminhos da ternura...

Difícil...
É apagar o sorriso tonto estampado em nosso rosto.

(em desespeo, a Arte pode ser dispensável...
o AMOR, nunca!)

Raul Leite, Agosto de 2015

Ser ou não ser


Ser nada...
Atracção maior
até de quem nasceu para ser tudo.

Esforço inglório...
A todos é concedida uma missão.

Descobrir a que nos cabe em sorte,
é a busca que nos leva o tempo de uma vida.

Não esperes o fácil...
Convém usar o difícil para suavizar o básico.

Neste Ser, Pensar, Respirar...
O sucesso é o corolário de vários erros de percurso.

Redução de efeitos secundários:
Sê tu, ama e ri...a tua impressão digital
é pessoal e intransmissível.

Raul Leite, Agosto de 2015

Ontem (é a soma de todos os tempos)

Ontem, sonhei que sonhava...
Seja:
Sonhei que sonhava com algo
Em que eu próprio comandava a trama.
Estranha viagem onírica, sabermos
que estamos a sonhar...sonhando.

Não!...
Não se trata de desconstruir
as velhas teorias de Freud...

A sensação diáfana que nos invade
-quando sonhamos...que sonhamos-
É talvez,
a realidade que mais se aproxima
do acto de viver.

(a concretização plena do que
só existe no território dos sonhos)

Raul Leite, Agosto de 2015

Unidades de grandeza

A grandeza de nossos actos é medida...
Pelo tamanho de nossa presunção:
"o diabo são os outros".

Há sempre um rasto
de humanidade naquilo que fazes...
Daí o direito ao erro:
O direito a seres vítima de teus próprios actos.

E nisso te cumpres
E nisso te glorificas.
Porque ousaste,
Porque foste audaz,
Galhardo...

Ou então, tão só e apenas, HUMANO!

Raul Leite, Agosto de 2015

Magia menor

Sorte a nossa, olharmos a lua
como se fora obra do acaso...
Longe da veneração que nos merece
o estranho e o insólito.

Todos somos obra do acaso...

Excepto...
Adão que, por acaso, é filho
de um par de ideias geniais:
Tentação e Pecado.
(temperos maiores no repasto
que dá mais vida à vida)

Todavia,
Numa falsa noção de progresso,
Continuamos a sonhar
que podemos fazer milagres.
Trabalho exaustivo e insano
Que convém delegar nos outros.

Magia menor
Para quem nasceu mágico.

Raul Leite, Setembro de 2015

domingo, 27 de setembro de 2015

Praia deserta

Sou praia e sou deserta
-logo, infeliz-
Tu és apenas o Homem
Monumento à solidão.

Não cumpres sequer o destino,
Não cumpres sequer a lágrima.
Sequer com donaires de cisne.

(produto inacabado,
falha insanável na linha de produção)

Raul Leite, Março de 2015

Quero dizer...

De manhã subi ao monte,
À noite viajei sozinho
Nos braços de inocente lágrima.

Todos os muros são do tamanho
dos nossos medos...

O acto de estar feliz
Resplandece...
No aconchego de teu abraço.

Raul Leite, 2015

Dias Minguados

Se me fosse dado domar o tempo...
Ousaria criar mais um "dia de semana"
Talvez aquele que deveria existir
Entre o sonso Domingo e a cruel Segunda-F.

Chamar-lhe-ia "dia de coisa nenhuma"
Acção de bloqueio do cérebro,
Livre do exercício penoso de pensar.

Rigor de meditação...num deserto de nada!
Em terra de coisíssima nenhuma,
Mas bem perto da miragem a que chamam
FELICIDADE:

(sono profundo no farto colo da indolência)

Raul Leite, Agosto de 2015


 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Preâmbulo

Fala mais baixo...

Falar de tudo e de nada...
Eu falo do que sei: de NADA!

(que é como quem diz:
de coisas que realmente importam!)

Raul Leite, Junho de 2015

"O mito de Sísifo"

Empurrar a solidão até ao pico do monte,
Assistir à sua queda devido ao peso excessivo,
Voltar a empurrá-la montanha acima,
Para voltar e vê-la cair de novo.
-fora essa a condenação dos deuses-
Sempre numa cadência repetitiva, absurda e inútil.
Caricatura de trabalho alienante e de esperança perdida.
Demanda filosófica: encontrar "o sentido da vida".

Premissa muito próxima da conclusão:

O presente não existe; o futuro é amanhã...
Só o passado...e a morte têm vidas próprias.

("o sentido da vida" -a confiar numa velha bruxa-
mora muito para além da linha do horizonte)

Raul Leite, Setembro de 2015



E não se podem reciclar?...

Não raro, dou comigo com vontade
de seguir o caminho das estrelas
e ser capaz de sequestrar aquela
que emana luz de variegadas cores,
guardá-la em minha caixinha dos segredos.
E, na altura certa, em dádiva celeste,
Trocá-la pelo velho e vetusto sol.

Sol,
Nossa estrela que já periclita com o peso da idade.
Brinca, a seu bel-prazer, com as estações do ano.
E, em suaves devaneios, pinta o Verão
com as cores do Inverno (e vice-versa)
Enquanto, Primavera e Outono, se extinguem
nos braços inclementes das estações rainhas,,,
Verão e Inverno.

E não se podem reciclar?

(foi uma Primavera que te trouxe até mim,
foi num Outono que celebrámos e nos demos)

Raul Leite, Setembro de 2015




sábado, 18 de julho de 2015

Viver como quem dança

As manhãs dos dias de verão,
Mesmo quando o sol joga às escondidas-
São dádivas que convém abraçar em plenitude.

Os cães e os poetas, perdem-se extasiados
Com fins de tarde pintados de várias cores.
(eles lá sabem...)

Rejubilo com manhãs atrevidas de verão,
Quando o sangue pulsa ao ritmo
de quem vive no embaraço do ciúme.

Já pertenci ao grupo dos que acham
que a vida só começa"a las cinco de la tarde".
Hoje, vejo, claramente visto,
que manhãs de verão,
cheiram a café e a feriado nacional.

Raul Leite, Julho de 2014

Sete fadas me fadaram...

Encetar a nobre tarefa de consertar o mundo-
Escalar a mais alta montanha. (ou montinho?)
Descascar uma cebola.
Guardar segredo da fonte da juventude.
Fazer exercício físico e mental (à escolha...)
Dos mares, cavalgar a onda mágica da sorte.
-na mira de cair nos braços de sereia desafinada-
Soltar o Dragão adormecido que há em nós.
Descobrir a distância mais curta para chegar a ti.
E cumprir estas façanhas...enquanto o diabo se ri.

Raul Leite, Julho de 2015

Arte ou artifício?


Falar das flores
de nossos jardins imaginários.
Da arquitectura sublime e serena
da mais humilde catedral.
Dos cânticos de louvor à natureza.
Da beleza intrínseca da mulher...
Temas gloriosos que a poesia embala,
alimenta e enobrece.

(apologia do belo, do útil, do humano)

Ao contrário, o poema, casa mal
com o verdadeiro circo de horrores,
Em forma de guerra, prepotência, desatino...

(apologia do lado negro da lua)

Raul Leite, 15/07/2015
















sábado, 11 de julho de 2015

O silêncio é de oiro

Falaste-me da chuva...
Logo o céu chorou lágrimas diamantinas.
Disseste horrores do vento Norte...
Que logo surgiu, submisso, a beijar-te os cabelos.
Evocaste os céus e a fé...
Logo o pecado te fez estátua nua em noite de inverno.
Disseste da fome de saber...
O que se diz da ignorância e do poder da moeda.
Falaste da caridade...
E logo a cidade mandou tocar os sinos da indiferença.
Evocaste  "a nudez crua da verdade"...
Sem providenciares o manto diáfano da cupidez.
Disseste da bondade, música...e da alegria, máscara!
Do abraço...Já!...e do beijo...Sempre!

(e lavraste em acta: o beijo, deverá ser servido
em taça de prata dentro e fora das refeições)

Raul Leite, 10/07/2015

domingo, 5 de julho de 2015

Oásis

Tu és a minha casa
Muralha do meu castelo,
Meu aconchego,
Meu arrepio,
Meu gelado no inferno.

Meu farol,
Meu rumo,
Minha ilha do tesouro.

Minha descoberta
do caminho marítimo
para o delírio,
para a perfeição...
Mais que imperfeita!

Raul Leite, Maio de 2015

A Ilha

Manhã límpida, fresca...
O místério das sombras
Desvanece.
e tudo se articula
Qual puzle de contornos rigorosos
e obra acabada.

Ancorei numa ilha
Cercada de mágoa por todos os lados,
menos por um:

Aquele teu jeito de semear sorrisos
Mesmo que os céus anunciem tempestade.

Raul Leite, Maio de 2015

Rosa dos ventos

(Quero...quero...quero...)

Quero...
Mergulhar em teus lagos de prazer,
Em teus olhos onde o céu se desnuda.
Em tua selva de peugadas virgens...
Teu Himalaia, meu Everest de vertigens.

Quero...
Estudar a geografia de teu corpo,
Fauna e flora, planícies e relevos...
Mares de volúpia, tempestades de mau porte,
Rosa dos ventos que me faz perder o Norte!

Quero...
Adormecer no colo de tua sombra,
Nas garras afiadas de teu sorriso.
No submundo de teus credos e desejos,
No SENTIDO PROÍBIDO de teus beijos.

Raul Leite, Maio de 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Quase música.

Mitigando a dor, escuto o murmúrio do silêncio.
Suave melopeia...
Intrincados, satíricos e disfuncionais
Os sonhos...
A caverna e o desejo de voltar ao ventre materno
Édipo revisitado...
Esperança de encontrar uma réstia de verdade
Alvoroço...
Dulcineia com rugas na alma e certezas no rosto
Clássico...
No limiar da fome e das descobertas inúteis
Labirinto...
Buraco negro nos confins do universo
Névoa...
Pedra preciosa nos escombros da felicidade.

Raul Leite, Junho de 2015

Lua cheia redondinha...

A noite cerrou cortinas
Logo a manhã desperta,
Já o sol se empertiga,
E o dia vira a página
E recomeça a viagem
Ao futuro prometido.

Terra de luz e suspiros.

Às portas do entardecer
-em céu de estrelas pintado-
Já a lua periclita,
Toda de branco vestida,
Em doce Lua-de mel
E madrugadas de pecado.

Raul Leite, Junho de 2015

Anjo de asa caída

Há uma graça natural e infinita
-ou não foras tu a mais bonita-
No modo rebelde do teu andar...

O sorriso matreiro e a inocência,
De quem fez do espelho a essência,
O adereço principal do teu olhar.

O espelho sorri inebriado,
Bobo da corte, folião empertigado...
Com teus modos e trejeitos sensuais.

Borboleta com alma de mariposa,
Jardim celeste, novel botão de rosa
Para gáudio de gulosos naturais.

Corre o champanhe fresco e borbulhante,
Repasto...manjar alucinante,
Hoje és mulher, dos verdes anos...lembrança!

Em destempero de jovens enamorados,
Tua demanda por mares sempre navegados,
Tu és aquela que pisa como quem dança.

(vida, alma esplendor...assim se cumpre o eterno)

Raul Leite, Junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

Árvore das palavras

Paraíso eterno,
Jardim de especiarias raras.
Palavras cultivadas pelo poeta
Guardião do tesouro do reino.

Cada árvore, sua fruta:

Árvore das palavras alegres:
Música, Baile, Romaria...
(para a Maria...todo o dia é romaria!)

Árvore das palavras de esperança:
Ânimo, Expectativa, Desejo...
(quem espera não alcança...é isso a esperança!)

Árvore das palavras bonitas:
Saudade, Carinho, Amor...
(uma cara bonita...que bem que te fica!)

Árvore das palavras a evitar:
Pernóstico, Ósculo, Acúleo...
(efeito secundário: falar por falar!)

Árvore dos frutos proibidos:
Esperança, Alegria, Felicidade...
(felicidade e saudade, rimam e é verdade)

A minha pátria...é uma floresta de palavras.

Raul Leite, Maio de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Absorto

Percorro a vida
Por ínvios caminhos...
Zombie de fato e gravata,
Mito urbano
Em acção nos subúrbios
da minha existência.

Inútil como flor bonita
Em canteiro que ninguém vê.

Vida inútil...flor inútil
Saber de cor o teu corpo
E passar ao lado
das palavras necessárias:
O meu amar-te
É o que me resta.

A minha demanda...
A minha réstia de humanidade,
Reside nesta façanha:
"o meu reino por um sorriso"

Depois...depois,
cavalgaremos a mesma nuvem
Até à mais longínqua galáxia.

Raul Leite, Maio de 2015

segunda-feira, 27 de abril de 2015

"Beijo enjeitado"

Era uma vez...um Beijo
Que vivia no desejo
De expressar o seu amor.
Beijo Tímido, Enamorado,
Frágil, débil, enfeitiçado
Pela princesa Beijaflor...
(flor caprichosa
perfume de rosa
avessa ao amor...
do Beijo Enamorado
fez "Beijo Enjeitado"
nos braços da dor)
O "Beijo Enjeitado"
Eterno enamorado
Pela Beijaflor,
Percorre a cidade
Exposto à maldade
E morre d'amor.

Raul Leite, Abril 2015
Nota: Em boa verdade, o "Beijo Enjeitado" e a Beijaflor vivem casados, felizes e recomendam-se

Dias minguados

Se me fosse dado domar o tempo,
Ousaria criar mais um "dia de semana"
Talvez aquele que deveria existir
Entre o sonso Domingo e a cruel Segunda-F.

Chamar-lhe-ia "dia de coisa nenhuma"...
Acção de bloqueio total do cérebro,
Livre do exercício penoso de pensar.

Rigor de meditação num deserto...de nada!
Em terras de coisíssima nenhuma,
Mas bem perto da miragem a que chamam
FELICIDADE.

(sono profundo no farto colo da inércia)

Raul Leite, Março de 2015

sexta-feira, 27 de março de 2015

Primavera

Tão só a estação do ano
com nome de mulher.
Comboio de sorrisos
que pára em todas as estações.

Bela, feminina, equilibrada...
"...tanto durmo como faço."
Escuridão é algo que não existe;
apenas ausência de luz.

Primavera é isso.Só isso...
Luz! Toda a luz do universo
em generosa missão:
Estar presente onde houver escuridão.

Raul Leite, 20/03/2015

domingo, 15 de março de 2015

Amor perfeito


Aos vinte anos...

A terra gira sobre ti inebriada
Lago encantado onde mora o arco-íris
E em delírio se entrega extasiada.

Amor gravado na poeira do espaço,
Fio de prumo do equilíbrio do cosmos
Lamiré onde a vida afina o compasso.

Nesse entremez...
Os sábios devoram manjares
De tratados e convenções...

(à fome chamam dieta
e à miséria...privações)

Raul Leite, Março de 2015

Canto do cisne (soneto segundo)


No inefável caminho das mimosas
O sangue aquece em constante frenesim..
Diabo à solta e damas mui virtuosas
Vassalos de EROS em venial festim.

No inefável caminho das rosas
Há poses lânguidas e mercantil paixão
O perfume almiscarado das rosas,
Falso pudor, desejos em turbilhão.

Velhos pecados, luta tenaz, desnorte,
Vertigem, vida madrasta, morte...
Cantar a vida?...Ó infernal penar!

No inefável caminho das mimosas,
Junto à praia de ondas alterosas,
O amor renasce na brisa que vem do mar.

Raul Leite Março de 2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

L´important c´est la rose.

A hipótese nua é igual
à quadratura do círculo.
Grande é o mundo...
Sozinho é o Homem.
As árvores erguem os braços aos céus,
O céu é azul...céu,
E a neve tirita de frio.
A arte é inútil, o engenho, quase!
O talento é um estorvo,
E a beleza um conceito ignaro.

-Ainda que,
verdadeiramente importante...é a rosa!

Raul Leite, Jan. 2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Alto da serra

Brincar na neve sem a Branca...
dita cuja e imaterial figura.

Baile sem Cinderela,
Chora o senão sem a bela,
Carochinha sem Ratão.
Julieta sem Romeu,
Belenenses sem Matateu,
Namoro sem beliscão.

Provérbio popular:
"um domingo nunca vem só...
traz a semana inteira"

Raul Leite, Janeiro de 2015

Mãos vazias

Só tarde, muito tarde,
-num rasgo súbito de lucidez-
Vi que a verdade e a fortuna
Dormem em sono regalado
Na palma de minha mão vazia...

E no aconchego do teu sorriso!

("até para dizer adeus
é preciso ter as mãos vazias")

Raul leite, Janeiro de 2015