Paisagem surrealista:
Os contornos que o crepúsculo
Desenha no lixo
Que o mar semeou na praia.
Surrealista...
Só no finzinho da tarde.
À luz crua do dia...
Cenário de filme italiano,
Neo-realismo anos quarenta.
Porém...
Há uma centelha poética
Nos resquícios da indigestão
Que o mar devolveu à praia:
Na bonomia de uma boneca sem braços;
Sapatos solitários que perderam seus pares;
Um vaso de noite sem asa;
Copos e garrafas...sinais de angústias mal digeridas;
Troncos de madeira disformes e conformes...
-Símbolos do que somos e como somos-
Todavia...
(pensar que foi nesta praia
que a dama por quem me aflijo
se revelou em dotes de sereia,
filha de uma deusa maior...
e de um generoso fato de banho,
insinuando o que só viria a conferir
na plenitude dos votos nupciais).
Raul Leite, 27 de Dezembro de 2013
Assuntos indiferenciados. Tentativa de me obrigar a escrever um poema todos os dias úteis (nos dias inúteis, transformo-me num zombie...como os demais)
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
A rotunda das maminhas
" Tudo o que fizeres se não provocar, pelo menos, um sorriso...É porque não é coisa boa". Assim mesmo dizia alguém, não me lembro quem. (a minha mãe?)
Tudo estaria bem se nós, os portugueses, não nos levássemos tanto a sério. Rir de nós próprios é a maior manifestação de inteligência, mas este jeitinho fatalista sempre acompanhado à guitarra, não ajuda nada.
Não faltam exemplos de grandes obras, de grandes autores, onde o humor impera através de uma fina ironia e de um sarcasmo servido em cálices de fino gosto. Pena que não seja o nosso caso: segundo um estudo "altamente científico" os portugueses riem-se muito com anedotas de papagaios, maridos enganados, padres e doidos (não de alentejanos, porque essas têm o chamado efeito "boomerang"). Enfim, nem sempre o riso merece o maravilhoso som que produz. Muitas vezes é gratuíto e outras tantas é provocado por cócegas que, como se sabe, é um acto de violência e, até, instrumento de tortura.
Cá por mim, confesso que parto o coco a rir quando passo (e passo por lá amiúde) na Rotunda da Praça da Índia em Miramar e sou confrontado com com o "atrevimento" do desenho arquitectónico do jardim da respectiva rotunda: já lhe chamam a "rotunda das maminhas" o que não deixa de ser estranho já que, segundo pessoa supostamente responsável, a intenção era que aqueles montículos de vários tamanhos, significassem as ondas do mar que, entretanto, ali bem perto, ora impávidas ora pouco serenas,continuam a cumprir o seu destino: a enrolar na areia.
Vitória da arte, que se quer atrevida e provocatória e por isso, só nos resta aceitar, com serena elegância britânica, e alardear em nossas carrancas um sorriso de cidadãos entendidos em arte moderna.
Entretanto, ali bem perto, na Alameda do Sr. da Pedra, alguém,com impulsos faraónicos, edificou um verdadeiro tratado ao esbanjamento, com jardins, lagos, fontes, e um pórtico de cariz novo-rico, sendo que, tudo junto, não provoca sequer um sorriso amarelo. (provoca, isso sim, uma "dor de alma" pelo "arrojo" de ter cortado pela raiz a romaria mais popular do Norte do País).
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro" Outubro 2002
Tudo estaria bem se nós, os portugueses, não nos levássemos tanto a sério. Rir de nós próprios é a maior manifestação de inteligência, mas este jeitinho fatalista sempre acompanhado à guitarra, não ajuda nada.
Não faltam exemplos de grandes obras, de grandes autores, onde o humor impera através de uma fina ironia e de um sarcasmo servido em cálices de fino gosto. Pena que não seja o nosso caso: segundo um estudo "altamente científico" os portugueses riem-se muito com anedotas de papagaios, maridos enganados, padres e doidos (não de alentejanos, porque essas têm o chamado efeito "boomerang"). Enfim, nem sempre o riso merece o maravilhoso som que produz. Muitas vezes é gratuíto e outras tantas é provocado por cócegas que, como se sabe, é um acto de violência e, até, instrumento de tortura.
Cá por mim, confesso que parto o coco a rir quando passo (e passo por lá amiúde) na Rotunda da Praça da Índia em Miramar e sou confrontado com com o "atrevimento" do desenho arquitectónico do jardim da respectiva rotunda: já lhe chamam a "rotunda das maminhas" o que não deixa de ser estranho já que, segundo pessoa supostamente responsável, a intenção era que aqueles montículos de vários tamanhos, significassem as ondas do mar que, entretanto, ali bem perto, ora impávidas ora pouco serenas,continuam a cumprir o seu destino: a enrolar na areia.
Vitória da arte, que se quer atrevida e provocatória e por isso, só nos resta aceitar, com serena elegância britânica, e alardear em nossas carrancas um sorriso de cidadãos entendidos em arte moderna.
Entretanto, ali bem perto, na Alameda do Sr. da Pedra, alguém,com impulsos faraónicos, edificou um verdadeiro tratado ao esbanjamento, com jardins, lagos, fontes, e um pórtico de cariz novo-rico, sendo que, tudo junto, não provoca sequer um sorriso amarelo. (provoca, isso sim, uma "dor de alma" pelo "arrojo" de ter cortado pela raiz a romaria mais popular do Norte do País).
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro" Outubro 2002
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
A filha mais nova
Quem escreve expõe-se. Poder-se-à dizer até que quem escreve, despe-se um pouco. Por mais que um autor se deixe envolver na ficção pura e dura, acaba sempre por exorcizar as suas próprias angústias. A escrita funciona como a extensão do divã onde o subconsciente se deita e debita as suas fantasias.
Cada trabalho escrito é uma parcela da personalidade daquele que escreve e que passou a ser pertença do público. Público, esse, quase sempre implacável no seu julgamento.
Uma das coisas que liga a escrita àqueles que escrevem é a sua profissão. Médicos e jornalistas estão ligados a grandes obras literárias. Fazendo-nos crer que, o contacto com o sofrimento alheio, refina a sensibilidade.
Cá por mim, que sempre tratei da saúde dos telefones (e afins) avariados, nunca me confrontei com problemas (questões, como agora de diz) tão transcendentes. Mesmo assim, o meu relacionamento com os utentes desse serviço, fez-me rico de experiências inesquecíveis. No contacto diário com pequenos dramas, também eu cresci e me fiz.
Claro que também me aconteceram episódios rocambolescos e até burlescos como, daquela vez em que, ao atravessar o jardim de uma moradia à beira-mar plantada, um cão, com cara de quem não faz mal a uma mosca, deixou-me virar as costas e saltou-me às ditas cujas, com um ímpeto selvagem tão refinado que me deixou o blusão e a camisa num mísero estado. Além do susto, foi a prova provada de que "quem vê caras...". Sempre tive muito cuidado com cães-de-guarda de porte imponente, dado que, esses excessos de zelo, já têm resultado em tragédias lamentáveis. Mas, no meu caso, nunca pensei que um simples vira-latas me faltasse tanto ao respeito.
Mas, como ia dizendo, dos pequenos dramas suficientes para me deixarem com um nó na garganta e um brilhozinho nos olhos, recordarei apenas o caso daquele velhinho que, de vóz trémula, apontando o telefone, me dizia: "O senhor, por favor, verifique bem o meu telefone, de certeza que as campaínhas estão avariadas porque ele não toca. A minha filha mais nova está na Suíça a trabalhar. Ontem, eu fiz anos. Ela não ia deixar de me telefonar no dia dos meus anos. Não, ela não se ia esquecer..."
De imediato, desejei que as campaínhas do telefone estivessem mudas e quedas, desengonçadas e até partidas. Esperança vã: logo no primeiro teste, as campaínhas tocaram na mais completa e indiferente normalidade...enquanto dentro de mim crescia uma raiva surda por tudo o que é suiço: os relógios de cuco, os chocolates, a neutralidade...e, sobretudo, um grito estrangulado na garganta que refilava contra as filhas mais novas que se esquecem do aniversário dos pais.
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro", Janeiro de 2003
Cada trabalho escrito é uma parcela da personalidade daquele que escreve e que passou a ser pertença do público. Público, esse, quase sempre implacável no seu julgamento.
Uma das coisas que liga a escrita àqueles que escrevem é a sua profissão. Médicos e jornalistas estão ligados a grandes obras literárias. Fazendo-nos crer que, o contacto com o sofrimento alheio, refina a sensibilidade.
Cá por mim, que sempre tratei da saúde dos telefones (e afins) avariados, nunca me confrontei com problemas (questões, como agora de diz) tão transcendentes. Mesmo assim, o meu relacionamento com os utentes desse serviço, fez-me rico de experiências inesquecíveis. No contacto diário com pequenos dramas, também eu cresci e me fiz.
Claro que também me aconteceram episódios rocambolescos e até burlescos como, daquela vez em que, ao atravessar o jardim de uma moradia à beira-mar plantada, um cão, com cara de quem não faz mal a uma mosca, deixou-me virar as costas e saltou-me às ditas cujas, com um ímpeto selvagem tão refinado que me deixou o blusão e a camisa num mísero estado. Além do susto, foi a prova provada de que "quem vê caras...". Sempre tive muito cuidado com cães-de-guarda de porte imponente, dado que, esses excessos de zelo, já têm resultado em tragédias lamentáveis. Mas, no meu caso, nunca pensei que um simples vira-latas me faltasse tanto ao respeito.
Mas, como ia dizendo, dos pequenos dramas suficientes para me deixarem com um nó na garganta e um brilhozinho nos olhos, recordarei apenas o caso daquele velhinho que, de vóz trémula, apontando o telefone, me dizia: "O senhor, por favor, verifique bem o meu telefone, de certeza que as campaínhas estão avariadas porque ele não toca. A minha filha mais nova está na Suíça a trabalhar. Ontem, eu fiz anos. Ela não ia deixar de me telefonar no dia dos meus anos. Não, ela não se ia esquecer..."
De imediato, desejei que as campaínhas do telefone estivessem mudas e quedas, desengonçadas e até partidas. Esperança vã: logo no primeiro teste, as campaínhas tocaram na mais completa e indiferente normalidade...enquanto dentro de mim crescia uma raiva surda por tudo o que é suiço: os relógios de cuco, os chocolates, a neutralidade...e, sobretudo, um grito estrangulado na garganta que refilava contra as filhas mais novas que se esquecem do aniversário dos pais.
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro", Janeiro de 2003
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Feios, porcos e maus
"Ir sempre mais longe deixa-nos, irremediavelmente, à mesma distância do horizonte". Escrevi esta frase, há anos,em jeito de sentença e de fórmula matemática, espécie de teorema porque demonstrável.
Tal me ocorre porque, neste assunto candente da pedofilia, os meios de informação já foram longe de mais e o horizonte continua à mesma distância.
Tenho para mim que, nestes casos, importa que tudo esteja no seu devido lugar. Ou seja: que o cidadão esteja sempre em estado de alerta, que a Justiça actue, que o Estado funcione e que a sociedade rejubile porque os seus valores mais elevados são preservados.
A exploração do sensacionalismo, os julgamentos na praça pública em nome de maiores audiências, são também um tipo de pornografia que nos merece repugnância.
Ou então, será a partir daí que todos nos transformaremos em "Feios, Porcos e Maus" fazendo jus à canga que muitos nos atribuem quando nos querem fazer passar por "cidadãos de segunda" desta Europa com laivos de nova-rica.
A propósito, o filme "Feios, Porcos e Maus", de Ettore Scola, é uma pequena obra-prima do cinema europeu. Dito assim, estou apenas a servir-me de um chavão que diz tudo e não diz nada. Mas, se vos disser que se trata de uma comédia social, em tom neo-realista, cuja acção se passa num bairro de lata, na periferia de Roma e onde o ambiente não cheira a "chanel five", (os filmes têm cheiros, sabiam?) mas onde, por vezes, deixa na sala um suave perfume a poesia que nos eleva e nos purifica.
É um filme de 1976 e, por isso, os detractores da corrente neo-realista no cinema e na literatura, podem baixar as defesas, já que se trata de uma obra de uma modernidade impressionante.
E é precisamente aí que a "porca torce o rabo..." Quando nos amarram ao epíteto "Feios, Porcos e Maus" deveria ser a esses valores de obra-prima do cinema que nos deveriam associar. E nunca a essa condenação de iletrados, maus profissionais, mentecaptos e afins.
Cá por mim, cidadão a caminho dos sessenta, e que julga ser o protótipo do português médio, quero dizer: aquele que sempre pagou os seus impostos com um sorriso nos lábios e uma lágrima ao canto do olho, continuo a apaixonar-me por este povo de bons poetas e maus gestores e cujo maior receio é, como ao Astérix, que o céu me caia em cima da cabeça.
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro", Dezembro de 2002
Tal me ocorre porque, neste assunto candente da pedofilia, os meios de informação já foram longe de mais e o horizonte continua à mesma distância.
Tenho para mim que, nestes casos, importa que tudo esteja no seu devido lugar. Ou seja: que o cidadão esteja sempre em estado de alerta, que a Justiça actue, que o Estado funcione e que a sociedade rejubile porque os seus valores mais elevados são preservados.
A exploração do sensacionalismo, os julgamentos na praça pública em nome de maiores audiências, são também um tipo de pornografia que nos merece repugnância.
Ou então, será a partir daí que todos nos transformaremos em "Feios, Porcos e Maus" fazendo jus à canga que muitos nos atribuem quando nos querem fazer passar por "cidadãos de segunda" desta Europa com laivos de nova-rica.
A propósito, o filme "Feios, Porcos e Maus", de Ettore Scola, é uma pequena obra-prima do cinema europeu. Dito assim, estou apenas a servir-me de um chavão que diz tudo e não diz nada. Mas, se vos disser que se trata de uma comédia social, em tom neo-realista, cuja acção se passa num bairro de lata, na periferia de Roma e onde o ambiente não cheira a "chanel five", (os filmes têm cheiros, sabiam?) mas onde, por vezes, deixa na sala um suave perfume a poesia que nos eleva e nos purifica.
É um filme de 1976 e, por isso, os detractores da corrente neo-realista no cinema e na literatura, podem baixar as defesas, já que se trata de uma obra de uma modernidade impressionante.
E é precisamente aí que a "porca torce o rabo..." Quando nos amarram ao epíteto "Feios, Porcos e Maus" deveria ser a esses valores de obra-prima do cinema que nos deveriam associar. E nunca a essa condenação de iletrados, maus profissionais, mentecaptos e afins.
Cá por mim, cidadão a caminho dos sessenta, e que julga ser o protótipo do português médio, quero dizer: aquele que sempre pagou os seus impostos com um sorriso nos lábios e uma lágrima ao canto do olho, continuo a apaixonar-me por este povo de bons poetas e maus gestores e cujo maior receio é, como ao Astérix, que o céu me caia em cima da cabeça.
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro", Dezembro de 2002
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Os meninos à volta da fogueira...
Não há cerimónia de casamento que consiga furtar-se ao capricho do fotógrafo em querer retratar os noivos, ao cair da tarde, junto à praia, em contra-luz, com o sol a desaparecer no horizonte.
É certo que me refiro aos casamentos (acontecimento que se fosse coisa boa não precisava de testemunhas) que ainda vão acontecendo nas freguesias do litoral de V N de Gaia.
A foto com o crepúsculo solar e os noivos em contra-luz é coisa bonita de se ver, sim senhor! Mas, o acto de tão banalizado, já faz parte da cultura "pimba" tão celebrada neste nosso jardim à beira-mar plantado.
É claro que estou a fazer juízo de valores...(eu próprio tenho uma dessas fotos...) E no entanto, na escala de produtos catalogados na dita cultura do piroso, esse nem é o mais pindérico. Porque o mais assustador, o mais aberrante, o mais inenarrável é o famigerado quadro do miúdo com as lágrimas em catarata pela cara abaixo.
Confesso que, diante de tal "obra d'arte", também me apetece chorar...de raiva! Sim, porque isto de admirar, fechado numa moldura, uma criança a chorar, deve inspirar elevadíssimos sentimentos, carradas de amor ao próximo...Caso contrário, o mínimo que se pode deduzir é que o sadismo cultiva-se de forma pouco subtil.
Entretanto, aquela parte de mim que se recusa a ver no comportamento humano todos os males do mundo, admite que o tão apreciado quadro (pendurado em casa de muito "boa gente") não seja um símbolo à crueldade.
Mesmo assim, recomendo a realização, ao nível nacional, de uma fogueira monumental alimentada com toda essa "tralha armada ao pingarelho". Com os meninos à volta, rindo e cantando num fim de tarde fantasmagórico, com as silhuetas recortadas a contra-luz, num ritual aliciante e...pagão.
Sim, porque isto da purificação através do fogo, pode parecer tipo Inquisição, mas, convenhamos, certos fins justificam os meios...
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro" Abril de 2002
É certo que me refiro aos casamentos (acontecimento que se fosse coisa boa não precisava de testemunhas) que ainda vão acontecendo nas freguesias do litoral de V N de Gaia.
A foto com o crepúsculo solar e os noivos em contra-luz é coisa bonita de se ver, sim senhor! Mas, o acto de tão banalizado, já faz parte da cultura "pimba" tão celebrada neste nosso jardim à beira-mar plantado.
É claro que estou a fazer juízo de valores...(eu próprio tenho uma dessas fotos...) E no entanto, na escala de produtos catalogados na dita cultura do piroso, esse nem é o mais pindérico. Porque o mais assustador, o mais aberrante, o mais inenarrável é o famigerado quadro do miúdo com as lágrimas em catarata pela cara abaixo.
Confesso que, diante de tal "obra d'arte", também me apetece chorar...de raiva! Sim, porque isto de admirar, fechado numa moldura, uma criança a chorar, deve inspirar elevadíssimos sentimentos, carradas de amor ao próximo...Caso contrário, o mínimo que se pode deduzir é que o sadismo cultiva-se de forma pouco subtil.
Entretanto, aquela parte de mim que se recusa a ver no comportamento humano todos os males do mundo, admite que o tão apreciado quadro (pendurado em casa de muito "boa gente") não seja um símbolo à crueldade.
Mesmo assim, recomendo a realização, ao nível nacional, de uma fogueira monumental alimentada com toda essa "tralha armada ao pingarelho". Com os meninos à volta, rindo e cantando num fim de tarde fantasmagórico, com as silhuetas recortadas a contra-luz, num ritual aliciante e...pagão.
Sim, porque isto da purificação através do fogo, pode parecer tipo Inquisição, mas, convenhamos, certos fins justificam os meios...
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro" Abril de 2002
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