sábado, 3 de maio de 2014

Lição de vida


Bastou uma ligeira brisa,
Um sopro de coração!
Meu bom e fiel guarda-chuva,
Vergaste ao peso do combinado:
Zelar e velar por mim.

-os objectos, não os animais,
são a cara chapada do dono-

E tu, meu fiel amigo,
Na parafernália das coisas inúteis,
Tua nobreza...
combina com a prosápia do amo.

(do povo é a chuva...
a todos molha de igual modo)

Raul Leite, Fevereiro 2014

Palavras que falam sozinhas

Nem sequer chovia...
Todavia os rios derramavam lágrimas.

Há poemas que,
Mal nascem,
Perdem-se de amores pelas palavras.

Dou guarida
Ao poema sem gravata,
Estilo cão vadio sem coleira.

Não aqueloutro,
De bravata desmedida,
Pretensioso, obstinado, contumaz.

O meu poema,
De talento desmedido,
Só existe porque...
TU ESTÁS EM MIM.

Raul Leite, Outubro 2013

Agenda social

Hoje fala-se...
Da morte anunciada do sol,
Do regresso dos vampiros,
Do sangue dos inocentes,
Das virginais luas de Saturno
-grávidas do néctar da vida-

E de...
Poliamor:
Amor cortado às fatias,
Migalhas de solidão
A encher de nada o vazio.

Prosápias e arengas em forma de assim.

Raul Leite, 13/04/2014