terça-feira, 27 de outubro de 2015

No jardim à beira mar

Há uma estátua apaixonada
pela figura alada
da águia de bronze fundida.
E, na quieta madrugada,
no silêncio dos mortais,
espreita o mar
de ondas despenteadas
e murmúrios musicais.

(e nos braços de clara lua,
adormece em sono de espanto)

Raul Leite, Out. 2015

O mar é o destino

Tal qual um rio fiel à força do mar,
A ti me dou sem juras nem tratados.
Bonomia de sonhos defraudados.

Soberbo é o rio de nossas lembranças:
Espraiou-se em lago de águas mansas
Costas voltadas à tirania do mar.

Espelho d´água, refrigério no inferno,
Lago mágico onde Narciso de olhou
E apaixonado por sua imagem ficou.


(na aridez do deserto da vida...
há sempre um lago real ou inventado)

Raul Leite, 25/10/2015