Desvalido, vagabundo
Sem-abrigo...
Figura de presépio
Na versão bairro-de-lata:
Anjos em berços de ouro
Nádegas viradas p'rà lua.
Presépio verdade:
Sensual figura de mulher,
Colo desnudo,
Mãos nas ancas, desafio...
"Raça de anjos
que desafiou Deus"
Rleite, Natal 2014
Assuntos indiferenciados. Tentativa de me obrigar a escrever um poema todos os dias úteis (nos dias inúteis, transformo-me num zombie...como os demais)
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
domingo, 7 de dezembro de 2014
Lapso de tempo
De passagem, todos somos de passagem...
Não mais que um fugidio olhar
Furtiva lágrima que no melhor pano cai.
Via-sacra, marcha dos penitentes.
Lapso de tempo que num bocejo se esvai.
Eternidade?!...
Suplício de Tântalo à beira tédio plantado!
Rleite, Dez 2014
Não mais que um fugidio olhar
Furtiva lágrima que no melhor pano cai.
Via-sacra, marcha dos penitentes.
Lapso de tempo que num bocejo se esvai.
Eternidade?!...
Suplício de Tântalo à beira tédio plantado!
Rleite, Dez 2014
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Etc. e tal
"O pecado mora ao lado"...eu moro na Rua das Portas do Céu, junto à avenida dos Anjos e com vista para o Jardim das virtudes! (Rleite)
Pior do que o pecador...só o casto Cândido vivendo ao ritmo do tempo perdido. (Rleite)
Cinco minutos de lucidez...é só o que se pede ao diabo e à morte (Rleite)
Na colmeia, não há nada mais perturbador...do que uma abelha feliz! (Rleite)
Comer, orar e amar...Nada a opor, desde que tudo isso possa ser feito na cama. (Rleite)
É insondável o coração das mulheres...mas também ninguém pretende fazer lá uma prospecção de petróleo. (Rleite)
Pior do que o pecador...só o casto Cândido vivendo ao ritmo do tempo perdido. (Rleite)
Cinco minutos de lucidez...é só o que se pede ao diabo e à morte (Rleite)
Na colmeia, não há nada mais perturbador...do que uma abelha feliz! (Rleite)
Comer, orar e amar...Nada a opor, desde que tudo isso possa ser feito na cama. (Rleite)
É insondável o coração das mulheres...mas também ninguém pretende fazer lá uma prospecção de petróleo. (Rleite)
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Luz estranha
Manhãs de chumbo, praia de mar revolto,
Sal na ferida, dor pungente, sufocada,
Agonia de animal em estertor.
No deserto de oásis sem palmeiras,
Nos escombros do meu velho refúgio,
Sorvo o licor amargo de meu pranto.
Escondam inoportunos sorrisos,
Rubicundos narizes de palhaços
E o desconforto da piedade...
Este é o meu desígnio,
Esta é a minha batalha,
E, por uma vez,
QUERO FICAR SOZINHO!
(todos os oceanos são o resultado
de nossas lágrimas)
Raul Leite, Setembro de 2013
Sal na ferida, dor pungente, sufocada,
Agonia de animal em estertor.
No deserto de oásis sem palmeiras,
Nos escombros do meu velho refúgio,
Sorvo o licor amargo de meu pranto.
Escondam inoportunos sorrisos,
Rubicundos narizes de palhaços
E o desconforto da piedade...
Este é o meu desígnio,
Esta é a minha batalha,
E, por uma vez,
QUERO FICAR SOZINHO!
(todos os oceanos são o resultado
de nossas lágrimas)
Raul Leite, Setembro de 2013
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Alerta laranja
Aproxima-te...
dos subterrâneos da memória,
da minha câmara de horrores...
E vê:
Todos os projectos têm a tua matriz...
todos os afectos esvanecem sem ti...
todos os rios desaguam no teu regaço...
toda a minha vida emana de ti...
Logo, cogito...
Verdes os tempos, claros os campos,
frescos os lírios, ligeiras as lágrimas,
fúteis as crenças, negras as manhãs,
silenciosos os gritos, matreira a saudade...
Não posso viver sem mim!
(e sem poisar a cabeça no teu colo)
Raul Leite, 17 de Setembro de 2014
Nota: escrevo ao abrigo da velha ortografia.
dos subterrâneos da memória,
da minha câmara de horrores...
E vê:
Todos os projectos têm a tua matriz...
todos os afectos esvanecem sem ti...
todos os rios desaguam no teu regaço...
toda a minha vida emana de ti...
Logo, cogito...
Verdes os tempos, claros os campos,
frescos os lírios, ligeiras as lágrimas,
fúteis as crenças, negras as manhãs,
silenciosos os gritos, matreira a saudade...
Não posso viver sem mim!
(e sem poisar a cabeça no teu colo)
Raul Leite, 17 de Setembro de 2014
Nota: escrevo ao abrigo da velha ortografia.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Meia de Leite
(Insondável mistério
da "meia de leite"
clarinha/quente
da Colmeia/bar
de Gulpilhares/freg.)
Do saudável saracoteio das moças
Do sobrolho aquiescente dos velhos
Do quadrado das conversas
Do redondo estribilho da canção
Da secreta melancolia dos esgares
Da atracção indolente pelo fundo da chávena
Das glórias e misérias mal digeridas
Das miradas licenciosas bem disfarçadas
Da suprema espera de algo cintilante e indolor...
( e da vida...
embalada na voz ébria da esperança)
Raul Leite, 11/07/2004
(num guardanapo de papel que
minha filha mais velha guardou)
da "meia de leite"
clarinha/quente
da Colmeia/bar
de Gulpilhares/freg.)
Do saudável saracoteio das moças
Do sobrolho aquiescente dos velhos
Do quadrado das conversas
Do redondo estribilho da canção
Da secreta melancolia dos esgares
Da atracção indolente pelo fundo da chávena
Das glórias e misérias mal digeridas
Das miradas licenciosas bem disfarçadas
Da suprema espera de algo cintilante e indolor...
( e da vida...
embalada na voz ébria da esperança)
Raul Leite, 11/07/2004
(num guardanapo de papel que
minha filha mais velha guardou)
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
A linguagem das flores
A inocência da açucena,
Sucumbe sob o jugo...
Dos ciúmes da orquídea.
A candura da violeta
Colide com a beleza...
E os caprichos do lírio-azul.
(os lírios-azúis...
não são flor que se cheire)
Raul Leite
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Quero dizer...
De manhã subi ao monte.
À noite viajei sozinho
Nos braços de inocente lágrima. (Rleite)
X
No clamor dos aplausos...
O prenúncio do sabor a fel
E do abraço sinistro da solidão. (Rleite)
X
Vistas das estrelas...
Misérias e grandezas,
Ficam reduzidas à insignificância. (Rleite)
X
O azul dos céus é o verde da tinta.
O azul das uvas...
É o verde do tinto. (Rleite)
X
Lua cheia redondinha...
Fruto de paixão escaldante
No quarto crescente. (Rleite)
X
Esvoaçava de flor em flor
Entre juras e promessas...
Beneficiou o infractor! (Rleite)
X
O acto de estar vivo
Resplandece...
No sorriso de tua sombra.
terça-feira, 1 de julho de 2014
Na selva cor da vida
Que mares me esperam?
Quem, antes de mim,
Pisou esta praia, esta água fria
Em que mergulho os pés?
Não mereço o silêncio,
-nobres são meus desígnios-
Nem o clamor de revolta,
Apenas o sal de teu corpo que me devora.
Repasto de fomes e sedes
Servido em opulento festim.
Fadiga de alma, mortal cansaço.
Celestial enlevo, clara música...
Algo me chama neste vasto e ancho mar.
Raul Leite, 27/06/2014
Quem, antes de mim,
Pisou esta praia, esta água fria
Em que mergulho os pés?
Não mereço o silêncio,
-nobres são meus desígnios-
Nem o clamor de revolta,
Apenas o sal de teu corpo que me devora.
Repasto de fomes e sedes
Servido em opulento festim.
Fadiga de alma, mortal cansaço.
Celestial enlevo, clara música...
Algo me chama neste vasto e ancho mar.
Raul Leite, 27/06/2014
sábado, 3 de maio de 2014
Lição de vida
Bastou uma ligeira brisa,
Um sopro de coração!
Meu bom e fiel guarda-chuva,
Vergaste ao peso do combinado:
Zelar e velar por mim.
-os objectos, não os animais,
são a cara chapada do dono-
E tu, meu fiel amigo,
Na parafernália das coisas inúteis,
Tua nobreza...
combina com a prosápia do amo.
(do povo é a chuva...
a todos molha de igual modo)
combina com a prosápia do amo.
(do povo é a chuva...
a todos molha de igual modo)
Raul Leite, Fevereiro 2014
Palavras que falam sozinhas
Nem sequer chovia...
Todavia os rios derramavam lágrimas.
Há poemas que,
Mal nascem,
Perdem-se de amores pelas palavras.
Dou guarida
Ao poema sem gravata,
Estilo cão vadio sem coleira.
Não aqueloutro,
De bravata desmedida,
Pretensioso, obstinado, contumaz.
O meu poema,
De talento desmedido,
Só existe porque...
TU ESTÁS EM MIM.
Raul Leite, Outubro 2013
Todavia os rios derramavam lágrimas.
Há poemas que,
Mal nascem,
Perdem-se de amores pelas palavras.
Dou guarida
Ao poema sem gravata,
Estilo cão vadio sem coleira.
Não aqueloutro,
De bravata desmedida,
Pretensioso, obstinado, contumaz.
O meu poema,
De talento desmedido,
Só existe porque...
TU ESTÁS EM MIM.
Raul Leite, Outubro 2013
Agenda social
Hoje fala-se...
Da morte anunciada do sol,
Do regresso dos vampiros,
Do sangue dos inocentes,
Das virginais luas de Saturno
-grávidas do néctar da vida-
E de...
Poliamor:
Amor cortado às fatias,
Migalhas de solidão
A encher de nada o vazio.
Prosápias e arengas em forma de assim.
Raul Leite, 13/04/2014
Da morte anunciada do sol,
Do regresso dos vampiros,
Do sangue dos inocentes,
Das virginais luas de Saturno
-grávidas do néctar da vida-
E de...
Poliamor:
Amor cortado às fatias,
Migalhas de solidão
A encher de nada o vazio.
Prosápias e arengas em forma de assim.
Raul Leite, 13/04/2014
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Anda Comigo...
A minha janela...
Fica na rota dos aviões, dos pássaros
E do eco da tua presença.
Daí resulta...
Um ruído agradável, quase música.
A minha janela...
Ora é moldura de pintura figurativa,
Ora é quadro de variegadas cores.
Efeito...
Doce voz que embala a minha existência.
A minha janela...
Fica na rota dos vagabundos, dos loucos
E dos poetas ensimesmados.
Consequência...
Casamento perfeito entre a utopia e a razão.
Raul Leite, 17/04/2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
De pequenino...
Os dez anos de idade ainda mal me conheciam, quando comecei a calcorrear a distância que separa a minha Gulpilhares, onde nasci, do Porto. Nessa altura, os transportes não estavam ao alcance de todos os bolsos e, andar a pé, era recomendado aos pobres como excelente terapia. Cumpre dizer, que não fiz nada que meus pais e meus irmãos não tivessem já feito. Ou seja: era no Porto que se encontrava trabalho na construção civil, e foi no Porto -Mercado do Bolhão, uma vida inteira a vender flores - que minha mãe encontrou o maior suporte de sustento da numerosa prole de que faço parte.
Nesses tempos, anos cinquenta, falar de trabalho infantil era um preciosismo que não fazia parte das preocupações dos portugueses. Vergonhoso era -ou pelo menos faziam-nos crer - ter onze, doze anos, um corpo saudável e não trabalhar.
O facto de ter começado a trabalhar tão cedo, não me atribui maior autoridade na matéria, mas permite-me falar do assunto sem cair na tentação de grandes tiradas demagógicas. Permite-me, tão só, dizer que a violência exercida sobre esse exército de crianças que davam serventia a adultos incultos e mal formados, era coisa que não tem comparação com os métodos agora usados. Mas, ninguém se iluda, nas escolas o ambiente era de tal rigidez que chego a duvidar qual mais violento: se dar serventia a pedreiro ou desbravar o saber dos livros.
Não está nos meus planos arvorar-me em mártir ou exibir eventuais traumas causados pelo trabalho precoce. Longe disso! A verdade é que, já como adulto, e depois de ter cumprido o serviço militar em Moçambique (na tal guerra do Ultramar que se transformou em assunto tabu), tive a sorte de conseguir emprego numa empresa (PT) onde as relações de trabalho e a gestão de conflitos foram sempre pautadas por atitudes de grande dignidade entre trabalhadores e a entidade patronal.
Convenhamos: pode parecer de somenos, mas para mim...foi TUDO!
Primeiro de Janeiro, Fev. de 2003, Raul Leite
Nesses tempos, anos cinquenta, falar de trabalho infantil era um preciosismo que não fazia parte das preocupações dos portugueses. Vergonhoso era -ou pelo menos faziam-nos crer - ter onze, doze anos, um corpo saudável e não trabalhar.
O facto de ter começado a trabalhar tão cedo, não me atribui maior autoridade na matéria, mas permite-me falar do assunto sem cair na tentação de grandes tiradas demagógicas. Permite-me, tão só, dizer que a violência exercida sobre esse exército de crianças que davam serventia a adultos incultos e mal formados, era coisa que não tem comparação com os métodos agora usados. Mas, ninguém se iluda, nas escolas o ambiente era de tal rigidez que chego a duvidar qual mais violento: se dar serventia a pedreiro ou desbravar o saber dos livros.
Não está nos meus planos arvorar-me em mártir ou exibir eventuais traumas causados pelo trabalho precoce. Longe disso! A verdade é que, já como adulto, e depois de ter cumprido o serviço militar em Moçambique (na tal guerra do Ultramar que se transformou em assunto tabu), tive a sorte de conseguir emprego numa empresa (PT) onde as relações de trabalho e a gestão de conflitos foram sempre pautadas por atitudes de grande dignidade entre trabalhadores e a entidade patronal.
Convenhamos: pode parecer de somenos, mas para mim...foi TUDO!
Primeiro de Janeiro, Fev. de 2003, Raul Leite
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