sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Tanta tecnologia e...

Usei pinturas de guerra,
Corpo nu em mente sã.
Em ritual selvagem
Dancei em missa pagã.

Em todas estas arengas
Investi a minha fé.
Estou só, agoniado,
A remar contra a maré!

Vou lá fora ver se chove!
Carta fora do baralho.
São Pedro não se comove:
"NEM CHOVE NEM FAZ ORVALHO"

Raul Leite

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

QUASE

NÃO!
Redondo e profundo,
Feito de fúrias
E carne viva.

SIM!
Lavado e triste,
Donairoso e solene...
Morto.

TALVEZ...
Drama de duas metades
Em busca de um todo.
Liberdade de escolha
A um passo do abismo.

Raul Leite, Jan. de 2011

Salvar o mundo e depois descansar

Se o teu desejo profundo
É trazer a paz ao mundo
E a todos matar a fome...
Vais ser "misse" ou ser doutor
E já agora, meu estupor,
Não penses que és Super-homem.

Deixa que a voz da razão
Te penetre.

Se a moça do 5º andar
Deixa um perfume no ar
Capaz de acordar um morto,
Um pensamento aceita:
A moça não endireita
Aquilo que nasceu torto!

Deixa que a voz da razão
Te penetre.

Se a voz do teu capataz,
Tonitruante e mordaz,
Teu lombo quer cavalgar,
Chora o Portugal profundo
Está fedido o mundo...
E alguém te está a penetrar!

-E nesta penetração
não entra a voz da razão-

Raul Leite

À espera de melhores dias

Desvalido de carinhos,
Embalando a depressão,
Percorro velhos caminhos
Em "Amores de Perdição".

Neste ínterim, o diabo
Pisca o olho, já se vê...
E todo o mal do mundo
Chega em versão DVD.

Música sem melodia,
Domingo sem romaria
E pecado sem perdão.
Baile sem raparigas,
Matagal sem urtigas
E poema sem paixão.

Em desespero, as cismas
(e as rimas)
Casam com benzodiazepinas.

Raul Leite, Dez. 2012