sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Praia de Inverno

Paisagem surrealista:
Os contornos que o crepúsculo
Desenha no lixo
Que o mar semeou na praia.

Surrealista...
Só no finzinho da tarde.
À luz crua do dia...
Cenário de filme italiano,
Neo-realismo anos quarenta.

Porém...
Há uma centelha poética
Nos resquícios da indigestão
Que o mar devolveu à praia:

Na bonomia de uma boneca sem braços;
Sapatos solitários que perderam seus pares;
Um vaso de noite sem asa;
Copos e garrafas...sinais de angústias mal digeridas;
Troncos de madeira disformes e conformes...

-Símbolos do que somos e como somos-

 Todavia...
(pensar que foi nesta praia
que a dama por quem me aflijo
se revelou em dotes de sereia,
filha de uma deusa maior...
e de um generoso fato de banho,
insinuando o que só viria a conferir
na plenitude dos votos nupciais).

Raul Leite, 27 de Dezembro de 2013



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