" Tudo o que fizeres se não provocar, pelo menos, um sorriso...É porque não é coisa boa". Assim mesmo dizia alguém, não me lembro quem. (a minha mãe?)
Tudo estaria bem se nós, os portugueses, não nos levássemos tanto a sério. Rir de nós próprios é a maior manifestação de inteligência, mas este jeitinho fatalista sempre acompanhado à guitarra, não ajuda nada.
Não faltam exemplos de grandes obras, de grandes autores, onde o humor impera através de uma fina ironia e de um sarcasmo servido em cálices de fino gosto. Pena que não seja o nosso caso: segundo um estudo "altamente científico" os portugueses riem-se muito com anedotas de papagaios, maridos enganados, padres e doidos (não de alentejanos, porque essas têm o chamado efeito "boomerang"). Enfim, nem sempre o riso merece o maravilhoso som que produz. Muitas vezes é gratuíto e outras tantas é provocado por cócegas que, como se sabe, é um acto de violência e, até, instrumento de tortura.
Cá por mim, confesso que parto o coco a rir quando passo (e passo por lá amiúde) na Rotunda da Praça da Índia em Miramar e sou confrontado com com o "atrevimento" do desenho arquitectónico do jardim da respectiva rotunda: já lhe chamam a "rotunda das maminhas" o que não deixa de ser estranho já que, segundo pessoa supostamente responsável, a intenção era que aqueles montículos de vários tamanhos, significassem as ondas do mar que, entretanto, ali bem perto, ora impávidas ora pouco serenas,continuam a cumprir o seu destino: a enrolar na areia.
Vitória da arte, que se quer atrevida e provocatória e por isso, só nos resta aceitar, com serena elegância britânica, e alardear em nossas carrancas um sorriso de cidadãos entendidos em arte moderna.
Entretanto, ali bem perto, na Alameda do Sr. da Pedra, alguém,com impulsos faraónicos, edificou um verdadeiro tratado ao esbanjamento, com jardins, lagos, fontes, e um pórtico de cariz novo-rico, sendo que, tudo junto, não provoca sequer um sorriso amarelo. (provoca, isso sim, uma "dor de alma" pelo "arrojo" de ter cortado pela raiz a romaria mais popular do Norte do País).
Raul Leite, "O Primeiro de Janeiro" Outubro 2002
Lindo, tenho muito orgulho em ter 1 paizu cheio de talentos...
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